Moagens

Moinhos de Maré e de Vento

A orla ribeirinha do concelho do Barreiro foi desde a Idade Média um espaço privilegiado para a edificação de engenhos moageiros, numa primeira fase hidráulicos e posteriormente eólicos.
O moinho de maré mais antigo existente é, o Moinho do Cabo que data do século XVI segundo referências documentais da Ordem de Santiago.
A actividade económica dos engenhos hidráulicos não se reduzia unicamente à produção de farinha, a caldeira era muitas vezes utilizada como recurso piscícola, e o facto de possuírem um caís e uma embarcação, permitia-lhes o transporte de cereal e de farinha.
Actualmente encontram-se no concelho do Barreiro, de propriedade particular, os moinhos de maré de Coina, Telha, Palhais, Braamcamp, Grande, Pequeno, vestígios do moinho do Cabo, em Alburrica e do moinho de El Rei, em Vale de Zebro.
O moinho de maré de El Rei, no séc. XV, era o maior do estuário do Tejo, com 8 moendas, abastecia a “industria” de padaria de Vale de Zebro, a qual sustentava as armadas reais e as fortalezas do reino no período dos Descobrimentos.

Moinho de vento Grande e Moinho de Maré do Cabo

Em finais do séc. XVIII, princípios do séc. XIX, aproveitando os ventos do Norte que sopram de feição são edificados os moinhos eólicos.
Desde a Recosta à Praia dos Moinhos, no Lavradio, encontram-se documentados 11 destes engenhos, os quais progressivamente substituíram os seus congéneres hidráulicos.
Com a edificação em 1817 do moinho de vento Gigante do Barão do Sobral, actualmente inexistente, na Quinta de Braamcamp, assistiu-se no Barreiro a um surto proto-industrial. Estrutura de 5 pisos incorporava as mais inovadoras tecnologias moageiras de proveniência inglesa.
Resistentes à passagem do tempo erguem-se em Alburrica e na antiga Praia Norte – Av. Bento Gonçalves – 4 moinhos de vento: Nascente, Poente, Gigante e moinho do Jim. Em 1852 foram edificados os moinhos Nascente, por José Pedro da Costa e Poente, por José Francisco da Costa, ambos de tipologia tradicional portuguesa: 2 pisos, torre fixa e cobertura móvel. De tipologia holandesa, o moinho Gigante construído por José Pedro da Costa em 1852, e o moinho do Jim, edificado por James Hartley em 1827, possuem 3 pisos, torre fixa e cobertura móvel.
Não é demais salientar, que a existência de moinhos implicava a existência de um espaço económico que se estendia a outras explorações como as marinhas e a criação de viveiros nas caldeiras.
O moinhos e as moagens industriais transformavam todo o seu envolvimento num pequeno complexo industrial, povoado por um número de gente especializada – moleiro, ajudante de moleiro, feitor, rendeiro, carregador, arrais e companheiro do barco do moinho, entre outros.
Com o despontar da moagem industrial no Barreiro, os moinhos de vento perdem o seu valor económico. Porém a importância da actividade moageira no Barreiro foi de tal ordem que os barreirenses adoptaram os engenhos de Alburrica como ex-libris da cidade.

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