Marítimos e Pescadores

A faina

O concelho do Barreiro possui condições naturais para as actividades marítimas, pelo que desde muito cedo as suas gentes souberam tirar partido dessa riqueza natural.
Actividade ancestral, a pesca, era praticada entre outras, por uma embarcação de características muito especiais a muleta, cujas referências surgem desde o século XVI. Possante e de aspecto algo bélico devido à sua proa arrufada e cravada de espigões de ferro, pescava de través com artes de arrastar. Envergava um conjunto de velame, composto por 6 a 7 pequenas velas, os toldos, muletins, varredouras e cozinheira para além do grande pano triangular latino. A tripulação variava entre os 14 e 16 homens e podia medir entre 13 a 15 metros de comprimento, 4 de boca e 2 de pontal. Esta embarcação desaparece em finais séc. XIX.
A muleta marcou de tal forma as gentes e a vida barreirense que é actualmente uma das peças mais identificativas da sua heráldica.

Outras artes de pesca, como o cerco ou estacada foi praticada no Barreiro até à década de 80 do século XX. O rio proporcionava a quem dele dependia, antes da industrialização, uma variedade piscícola de que o safio, a enguia, a corvina, o enxarroco, o robalo, a tainha, o linguado, a lamujinha, o camarão mouro, as ostras, o lingueirão são alguns exemplos.
O recolhimento dos esteiros, a navegabilidade rio Coina e as condições geográficas, determinaram a instalação de indústrias de secagem do bacalhau em Santo André na Azinheira Velha – Parceria Geral de Pescarias fundada em 1891 por Abraham Bensaúde, e em Palhais, a Sociedade de Armadores de Navios e Secagem de Bacalhau de José Luís da Costa e Almirante Henrique Tenreiro fundada provavelmente em meados da década de 40 do século passado. Actualmente existe neste local a Congimex.

A frota bacalhoeira da Parceria era composta por embarcações de grande envergadura de 3 mastros com um conjunto de velas de variado recorte. Muitos destes navios já foram desactivados e desmantelados. Um dos sobreviventes é o “Creoula”, construído nos antigos estaleiros da CUF, actualmente transformado em navio escola da Marinha Portuguesa.

A Câmara Municipal numa tentativa de reunir espólio que de alguma forma reflecte a riqueza da actividade marítima no concelho tem vindo a adquirir miniaturas de embarcações tradicionais, a recolher material variado, bem como a receber doações .

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