A Industria Corticeira e o Barreiro

A industrialização em marcha

A instalação do caminho de ferro no Barreiro em 1861 e o fácil escoamento de mercadorias por via marítima para Lisboa, proporcionaram o aparecimento da indústria corticeira no concelho do Barreiro. A primeira notícia sobre a instalação de uma fábrica de cortiça data de 1865 quando Augusto Gomes de Araújo afirma que “embora surja mais tarde que no Alentejo ou no Algarve, está pois instalado no Barreiro […] um fabrico de cortiça”.
Em 1890 são reconhecidas oficialmente duas corticeiras: a Garrelon & Cª na Rua Miguel Pais, e a de João Reynolds nas Lezírias empregando no total cerca de 68 operários.
Na década de 20 o número de fabricas de pranchas, quadros e rolhas é já de 40 e os operários excedem largamente o milhar. Os corticeiros representam cerca de 1/3 da população activa barreirense.
O operário corticeiro não possuía uma grande preparação escolar, devido por um lado a ingressar muito cedo no mercado de trabalho – a partir dos 7 anos – e por outro ao próprio carácter artesanal do trabalho.
Conscientes das dificuldades e das discriminações a que estão sujeitos os corticeiros, organizam-se de forma a constituir um bloco reivindicativo coeso, pelo que em 1890 formam um sindicato nacional que conta nas suas fileiras com vários militantes anarquistas. Neste mesmo ano no Barreiro é fundada a Associação dos Operários Corticeiros que em 1901 conta com 200 sócios.

Uma família corticeira e aspectos do trabalho de transformação da cortiça

A única arma de que dispõem é a greve, e utilizam-na sempre que a situação assim o exige, no período entre 1872 e 1899 contam-se mais de 50 greves em todo o país. Lutam por: salários de acordo com o aumento do custo de vida, e uniformizados nas três regiões da indústria corticeira (Norte, Centro e Sul), pela protecção do trabalho infantil; pela redução do horário de trabalho de 12 h. para as 8 h. como estava estipulado por lei; por melhores condições de higiene e salubridade nos locais de trabalho; contra a tentativa de substituição dos operários por mulheres e crianças; e contra a precariedade do trabalho.
A indústria corticeira sofre a sua primeira grande crise no período pós 1ª Guerra, devido à perda de importantes mercados como o alemão, o russo, e o austríaco, à concorrência da cortiça norte africana, ao aumento do custo da matéria prima, e ao facto de a cortiça ser exportada em prancha e não manufacturada. E mais tarde a introdução do plástico no mercado veio substituir a cortiça em muitos materiais.
Estes entre outros factores levam a um processo de lenta agonia, que se irá traduzir, no desaparecimento da indústria corticeira no Barreiro.
Actualmente só existe a funcionar no concelho, a Sociedade Nacional de Cortiças fundada em 1885 pelos irmãos Reynolds quando adquiriram a Quinta Braamcamp.
A nível mundial Portugal continua a ser o maior produtor – detém mais de metade da produção – e exportador de cortiça.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s