Santo António da Charneca – Cerâmicas dos séc. XV e XVI

Um Forno de Cerâmica Comum

Em 1997, durante a abertura de valas para a construção de uma urbanização em Santo António da Charneca, foram recolhidas grandes quantidades de cerâmica, provavelmente materiais rejeitados de uma antiga olaria existente nas proximidades da Escola Básica do 1º Ciclo n.º 1 de Santo António da Charneca. Associados à cerâmica encontravam-se cinzas, carvões e tijolos.

Efectuada uma escavação de emergência dirigida pelo Gabinete de Arqueologia Regional, que contou com a participação da Junta de Freguesia de Santo António da Charneca e um grupo de jovens estudantes, foram recolhidos abundantes fragmentos de cerâmica, de objectos de uso doméstico como pratos, panelas, malgas, escudelas, candeias de pé alto, escudelas, talhas, entre outros. Muitos destes objectos possuíam vidrado, outros apenas apresentavam uma cozedura primária.

Refira-se a propósito que a tipologia cerâmica aqui recolhida é em tudo idêntica à cerâmica produzida na Olaria da Mata da Machada séc. XV/XVI.

Para além dos objectos de uso quotidiano, encontraram-se também outros, relacionados com as actividades que se desenvolveram em toda a região durante o período da Expansão Portuguesa. Tratam-se das conhecidas formas de biscoito, utilizadas nos fomos do Complexo Real de Vale de Zebro, das formas de purga do açúcar, cuja exportação saía das embarcações que apartavam ao cais de Vale de Zebro e ainda fragmentos de barris, provavelmente utilizados para o aprovisionamento de água durante as longas viagens marítimas.

A possível existência de mais uma olaria em Santo António da Charneca, parece confirmar a tese de Cláudio Torres, de que toda a Margem Sul foi uma região produtora em grande escala, para a chamada “empresa dos descobrimentos”.

«A prospecção arqueológica, embora incompleta, da área envolvente do estuário do Tejo começa a confirmar algumas evidências. Aqui e além, concentrados na margem esquerda do grande rio, encontramos restos fabris que atestam antiga e prolongada actividade, cujo ponto culminante parece ser a época de quinhentos» Cláudio Torres, s.d..

Um dos aspectos mais interessantes destes achados, foi a descoberta de alguns azulejos de aspecto rudimentar, datados por José Meco da 1ª metade do século XVI, em estudo publicado pela Câmara Municipal do Barreiro, os quais assumem «excepcional importância no âmbito da azulejaria portuguesa, dado serem, seguramente os primeiros exemplares decorados conhecidos, que foram produzidos em Portugal e também pela acentuada influência da azulejaria mudéjar da Andaluzia». José Meco, 2000.

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