Companhia União Fabril

Barreiro o centro do Império

Com a fusão, em 1897 das empresas Aliança Fabril e União Fabril surge em Lisboa uma nova empresa Companhia União Fabril, de que Alfredo da Silva se torna administrador gerente. Porém, é no Barreiro que o ambicioso projecto da Companhia União Fabril reúne as condições necessárias para a sua execução: nó ferroviário para o Sul do país; ligações fluviais entre as duas margens do Tejo e proximidade com as instituições financeiras e comerciais de Lisboa. Em 1907 iniciam-se os trabalhos para a edificação do complexo industrial no Barreiro.

Numa primeira fase entram em laboração as fábricas de óleos para o fabrico de sabões. Gradualmente a produção estende-se aos sectores de laminagem de chumbo, soda, magnésio, ácidos e adubos, refinação de copra, sector têxtil, metalomecânica e construção naval.

A antiga vila de pescadores sofre transformações socio-económicas profundas, como testemunha, em 1910, Caetano Beirão da Veiga: «O Barreiro já é outro pelo aspecto, pelo movimento, pelas vibrações das ruas, pelo ritmo nervoso dos que trabalham, pelas altas chaminés que fumegam dia e noite, pelo odor horrível das emanações químicas que se espargem no ar, pelas aspirações sociais impetuosas de centenas de operários que se concentram nesse colosso industrial permanentemente arfando» Ana Nunes de Almeida, 1998.

O império da CUF, enquadrado no projecto de autarcia económica do Estado Novo, baseando-se no modelo de supressão de importações e controlo da produção industrial desde a entrada das matérias-primas até à venda dos produtos finais, atinge proporções gigantescas. Este exemplo não é único no país e neste contexto histórico, insere-se numa política que visa o controlo total da vida dos operários que fazem parte do seu império fabril.
A par desta estratégia económica Alfredo da Silva lança as bases de uma política paternalista, a que chamou Obra Social, com a edificação, no perímetro da fábrica de um Bairro Operário (1908), uma rede de assistência médica, refeitórios, creche, despensa e instalações desportivas
Esta política tinha por objectivo não só ligar o operário cada vez mais à fábrica, mas visava também a pacificação social, numa terra onde as lutas políticas tinham tradição. Este modelo económico perdurou até aos anos 70, do século passado .

Vista aérea do complexo fabril CUF no Barreiro Barreiro o centro do Império

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