Convento da Madre de Deus da Verderena

A construção do Mosteiro da Verderena, o décimo sétimo da Província de Santa Maria da Arrábida, teve o seu início formal a 18 de Dezembro de 1591, dia consagrado pela Igreja Católica à expectação do parto de Nossa Senhora e daí a designação do orago: Nossa Senhora da Madre de Deus.
 

O edifício só ficaria concluído 18 anos depois, em 1609. A fundadora do Convento, Dona Francisca de Azambuja, descendia de uma das mais ilustres famílias barreirenses, cujas referências datam de finais do século XV.
Com a morte de seu marido, Álvaro Mendes de Vasconcelos, na batalha de Alcácer Quibir, Dona Francisca que não voltou a casar nem teve descendentes, dedicou parte importante da sua vida e fortuna pessoal, a uma obra com a qual deixaria o seu nome ligado à história do Barreiro: o Convento da Verderena.

A tipologia deste Convento inseria-se perfeitamente no contexto das edificações dos Franciscanos Arrábidos, cujo rigor imposto pelos Estatutos da Província, enunciavam com precisão e minúcia, todas as características arquitectónicas que as mesmas deveriam possuir, que privilegiavam as fórmulas de simplicidade e austeridade, procurando conciliá-las com soluções utilitárias e económicas.

Ao longo dos séculos, o edifício sofreu profundas alterações que lhe modificaram, sensivelmente, a fisionomia.
Do convento concluído nos primeiros anos do Século XVII, poucos são os elementos presentes, para além do pórtico da fachada Sul; entrada principal do estabelecimento; algumas cantarias (porta de acesso ao coro alto e outra para o exterior da cela), e um conjunto bastante variado de fragmentos azulejísticos, bem representativos deste período.
No início do Século XVIII, o edifício conventual foi todo remodelado por D. João António de La Concha, Contratador Geral do Tabaco, nos anos de 1707/1708, construindo-se então a Capela do Senhor dos Passos ou Capela pequena, como ficou conhecida. Após a extinção das Ordens regulares masculinas, ocorrida em 1834,

o Convento foi integrado nos Bens Nacionais e, depois de ter ido à praça por três vezes, foi arrematado em hasta pública em 1843, pelo Conselheiro Joaquim José de Araújo, por 965$00 rs. Muitos dos elementos do formulário decorativo religioso são «mascarados» e emparedados por forma a secularizar o antigo edifício monástico, e o convento é então adaptado a palacete, de modo a corresponder às suas novas funções: residência e veraneio.
O imóvel manteve-se na posse desta família até ao princípio do Século XX, transitando então, para Guilherme Nicola Covacich, industrial têxtil barreirense.

Em 1969, o é adquirido pelo município do Barreiro, já em estado de degradação. Depois de 25 de Abril de 1974, o Convento é utilizado para actividades de índole cultural.

Em 1995, a Câmara Municipal do Barreiro delibera a aprovação de obras de remodelação do Convento e integração paisagística dos terrenos circundantes, com vista à instalação no local de um espaço de múltiplas valências culturais. O projecto de restauro e recuperação do Convento da Madre de Deus da Verderena teve em consideração duas preocupações prioritárias – recuperar o traçado original do edifício e adaptá-lo a novas funcionalidades. Desse modo, procurou-se criar um espaço aberto e dinâmico onde se cruzam as actividades culturais, a informação e o lazer. Instalou-se um Pólo da Biblioteca Municipal que dispõe de um Núcleo Multimédia e espaço Infanto-Juvenil. O antigo Refeitório dos monges é agora o Restaurante do Convento, onde os visitantes e utilizadores podem desfrutar de uma refeição num ambiente calmo e agradável. O Auditório, antiga Capela, é um espaço destinado à realização de conferências, reuniões, espectáculos, exposições, etc.,. No exterior, os jardins convidam ao encontro, conversa e lazer. Refira-se, ainda, a existência de um núcleo museológico.

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