Construção Naval

Da época dos Descobrimentos ao século XX

A saga dos Descobrimentos portugueses está intimamente ligada ao Concelho do Barreiro, quer através de actividades produtivas, quer através de personalidades, que de uma forma ou de outra ajudaram a projectar este nosso pequeno jardim à beira mar plantado à “escala mundial”.

“… No território do Concelho do Barreiro, do Lavradio a Coina, existem muitos sítios de interesse para a arqueologia naval, que estão datados a partir da idade Média. Os portos e os portinhos, os cais dos moinhos de maré, das quintas e das instalações industriais, os estaleiros navais e secas de bacalhau, os bairros de pescadores, de marítimos e de construtores navais e o próprio rio …”António Nabais.

A Ribeira da Telha, sita no lugar da Azinheira, fazia parte do complexo de construção naval do Tejo juntamente com a Ribeira de Lisboa e as teracenas que serviam ambas. No entanto, beneficiava esta em relação à da capital de vários factores, destacando-se de entre eles o facto de se situar junto a uma importante mancha florestal (a actual Mata da Machada), de onde provinha não só o pinho, mas também o sobro e o azinho, e o facto de se situar na margem sul do rio Coina, o que lhe conferia uma exposição solar favorável e a mantinha abrigada das tempestades de inverno.

Localização da antiga Ribeira das Naus na Telha

A actividade nesta ribeira não devia ser diferente das outras, algumas das quais descritas em documentos e iluminuras antigas. Construía-se na praia traçando directamente das madeiras em bruto as diferentes peças de que se compõem as embarcações.

O sobro e o azinho, do qual deriva o nome do sitio da Azinheira, eram utilizados na estrutura (a ossada do navio), e o pinho, a madeira que se utilizava em maior quantidade era aplicada na coberturas dos cascos e dos convés. O navio nascia com a montagem da ossada (método skeleton first) que era escorada de um bordo e do outro à medida que ganhava altura, só depois é que se revestiam e calafetavam os cascos, num moroso processo que culminava com o lançamento do navio á água.

Esta azáfama trouxe muitas e diferentes gentes e profissões ao espaço que se tornaria gradualmente no que conhecemos hoje por Barreiro, fazendo-o crescer por imperativo a par das necessidades tecnológicas de todo um conjunto de actividades que eram subsidiárias.

No Barreiro esta arte não se esgotou na Ribeira da Telha. Se nela se construía por ordem Real, para a longa navegação que tão importante foi para a elevação do nome de Portugal, não foi menos importante a construção da ferramenta do dia a dia para as gentes que aqui habitavam as praias e labutavam em campanhas fora da barra do Tejo. Chamavam-se Muletas do Barreiro a um tipo específico de barco do Tejo, e se o topónimo aparece ligado ao tipológico quer sem dúvida alguma dizer que eram aqui construídas, muito provavelmente na zona que hoje se denomina por Alburrica, onde ainda no primeiro quartel do séc. XX laboravam os estaleiros do mestre Ferreira e do mestre Bravo.

Estaleiro Naval de Alburrica

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s