Vale de Zebro – Complexo Real – séc. XV e XVI

Os Fornos do Biscoito

A pouco mais de 300 m. da Mata da Machada, em Vale de Zebro funcionavam, no séc. XV, os Fornos de Biscoito de El Rei. Este empreendimento constituído por 27 fornos, armazéns de cereal, caís de embarque e um moinho de maré com 8 moendas assegurava o fabrico de biscoito necessário ao abastecimento das armadas reais e das fortalezas do reino.

Localização de Vale de Zebro

O Forno Cerâmico da Mata da Machada funcionava então como subsidiário dos Fornos de Vale de Zebro, produzindo as formas cerâmicas de tamanho variável, para o fabrico de Biscoito.

Segundo o Regimento dos Fornos de Vale de Zebro: «Ao Mestre dos biscoutos pertence saber como os Biscouteiros, e Mestre das Masseiras usão de seus officios, e se amassão o pão para os biscoutos na forma que he necessário, para que saião bem feitos, e ver quando estão levadas as massas para se lançarem nos fornos, de maneira que não saião os ditos biscoutos asmos» Um Olhar sobre o Barreiro, Junho de 1989.

Do caís do Complexo Real de Vale de Zebro embarcavam também produzidas na Mata da Machada – Formas de Pão de Açúcar, as quais tinham como provável destino a ilha da Madeira, cujo apogeu do ciclo açucareiro data dos sécs. XV/XVI. A importância desta actividade económica madeirense é testemunhada em várias representações heráldicas entre os sécs. XVI e XVIII, onde figuravam as formas de Pão de Açúcar.

Com a decadência da produção açucareira madeirense, no segundo quartel do séc. XVI, assiste-se no Brasil à plantação intensiva de cana-de-açúcar e ao desenvolvimento da produção açucareira. Nos primeiros anos de produção é provável que os engenhos açucareiros desta colónia tenham utilizado as formas cerâmicas produzidas no Barreiro, conjuntura que se alterou com o incremento desta produção, passando a serem também fabricadas no Brasil.

Deste modo a conjuntura expansionista e colonial de Portugal entre os sécs. XV-XVI foi em grande parte suportada pelas infra-estruturas proto-industriais da margem Sul do Estuário do rio Tejo: Fornos Cerâmicos da Mata da Machada e Complexo Real de Vale de Zebro.

Edifício dos fornos do Biscoito, onde hoje está instalado o Museu do Fuzileiro

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